28 de novembro de 2010
Falha na hospedagem
O templete do blog deu um erro... As imagens expiraram no servidor onde estavam. Por isso troquei-o para um temporario, assim que animar faço um novo bacana.
22 de outubro de 2010
Chuva
Hoje eu te senti na chuva.
E percebi coisas que ainda tenho medo de dizer.
Mas você sabe. Eu sei que sabe.
21 de julho de 2010
Medos?
Por vezes nós cometemos erros na vida. A maioria por medo. E esse medo é muito maior que imaginamos. Superficialmente nós não os percebemos, ou, levianamente, os ignoramos. E mesmo agora lendo sobre isso não damos facilmente a devida atenção ao fato. São medos graves, fobias, e costumam ter origem em dois pontos de fácil reconhecimento: o instinto e a cultura.
Os medos instintivos não carecem de explicações. Auto-preservação. Medo do fogo, do escuro, de laminas, de animais perigosos. A maioria de nós lida com eles bem se apresentados em suas formas puras, e desvia-se da realidade, se iludindo, de suas formas sutis. Podemos não ter medo da altura propriamente dita, sem receios de apoiar-se no parapeito de uma sacada inúmeros metros acima do solo. Tudo bem, você não tem medo de altura. Mas você pode ter medo de pular de pára-quedas. Ou o medo de se deparar com a queda de uma aeronave na qual você não saiba onde seu pára-quedas se encontra. Nos casos sutis você pode simplesmente não se submeter a situação de risco e assim não conhecer, ou reconhecer, seus medos.
Nos medos culturais, infelizmente, a analise pode não ser tão objetiva. Para uma mais fácil observação vamos dividi-los entre o medo social e o medo intelectual, observando aqui que apesar de alguns medos instintivos também serem capazes de absorver essas duas vertentes, os medos físicos são exclusivamente instintivos, mesmo que treinados para mais ou menos durante sua formação cultural.
Dos medos sociais, um que quero destacar em um primeiro contato, é o medo do julgamento. Da quantidade de ações que fazemos e, ou, deixamos de fazer preocupados com o que fulano, beltrano, ou simplesmente ‘os outros’ (Assistindo Lost demais?) vão pensar. Esse medo nos condiciona a criar, adotar e seguir regras de convívio onde o certo e o errado são ‘exatos’, onde não existe adequação e espera-se exclusivamente a aplicabilidade de receitas para as boas interações sociais. Obviamente isso limita nossas possibilidades de encontrar a felicidade, ou o falso conforto de viver uma felicidade fabricada, artificial, frágil, insuficiente para nossa real satisfação íntima. Ser feliz para os olhos do outro é que merece causar medo.
Já um medo intelectual que merece destaque nesse primeiro contato é o medo da própria insuficiência. Medo de não ser bom o bastante em algo, de não ser capaz de compreender, de lidar ou resolver. E nessas circunstâncias, o próprio medo gera o objeto aterrorizante. Ao nos deparar com esse medo, agregado ao pavor social supracitado, cria mecanismos de defesa que pode ser bom: auto-estima, ou ruim: orgulho. Defesas que tendemos a misturar e fatalmente decidirmos pelo orgulho. Eu não sou o ruim, a culpa é do outro, das circunstancias, do tempo. O orgulho que impede de reconhecer defeitos ou superar a preocupação com o pensamento alheio é digno de medo.
Por hora, é isso. Estou cá lutando com os meus, sugiro que façam o mesmo e tenham um ótimo dia de coragem.
16 de abril de 2010
Liberdade, dá última folha do caderno.
A dúvida inevitável sobre a liberdade não é sobre o que ela é. Dificilmente essa poderia ser a dúvida. Liberdade não é mensurável, não é descrita e nem explicada. Liberdade é sentida, vivida ou momentaneamente imaginada.
A pergunta comum é: “Sou livre?”.
E é ai que tudo se complica. Uma pergunta irmã pode se formar na linha filosofal de tudo isso. Ser e estar, sinônimos ou antônimos? Sou livre ou estou livre? Característica ou estado? Nós podemos definir, mesmo que em escala individual, a abrangência e o limite da divisão entre o liberto e o enclausurado?
Liberdade é o estado (condição?) natural do ser ou a ausência de toda e qualquer forma de limitação ou prisão? O que se faz para aumentar a liberdade? Ou diminuir as limitações?
Você se sente livre?
Motes.
Leviatã:
Cada pessoa é muitas pessoas: uma multidão num só. Um corpo corporativo, incorporado, uma corporação... a unidade de uma pessoa é real, ou irreal, como a unidade de uma possessão. E eu posso torna-lo varias pedaços de uma única pessoa se for preciso para lhe provar.
Amelia Sampaio:
Ninguém me comanda. Nenhum homem. Nenhum deus. Nenhum ancião. Nenhum príncipe. O que é a idade para aqueles que são imortais? O que é o poder para aqueles que desafiam a morte? Convoque sua maldita caçada. Veremos quem arrasto comigo gritando para o Inferno.
Aegelie Monduobo:
O mundo é quase tão maravilhoso, quanto é feio e pecaminoso. Que orelhas lindas você tem...
Mary, a Bela:
Tenho lábios vermelhos e feições selvagens. Os cachos de meus cabelos são amarelos como o ouro. Minha pele, pálida como a dos leprosos. Eu sou o pesadelo-feito-vida, que gela o sangue dos homens.
Espectro.
Folha de papel em branco.
Memória vaga.
Calmo caminho para lugares desconhecidos.
Palma molhada capturando gotas de orvalho.
Tempestade de areia negra.
Vidro embaçado por respiração.
Túnel mal iluminado.
Teia de aranha no conto do palco.
Acrobacia dolorosa em silêncio.
Solidão composta de multidões.
Fotografia em sépia.
Arquitetura como conhecimento do espaço.
Sol pálido por cortinas de seda.
Espelho trincado e partido.
Miado dos pequenos gatos.
Folha de papel em risco.
Cumplicidade muda.
Muitas vezes as palavras não bastam. Não que sejam fracas, pelo contrário!
Simples, vez ou outra não há o que falar. Nada a dizer.
Prefere-se um bom olhar, precisa dos olhos.
Vale muito que orações. Torna-se um abraço falante.
Estar por perto, existir é fundamental. Fundação. É fundamento.
Mesmo que nada possa ser feito ou dito. Ainda sim, sentido.
12 de abril de 2010
Mais do mesmo.
Lá vou eu em mais uma das minhas satisfações para mim mesmo.
Digo isso porque sou realista e sei que raramente um perdido ou outro lêem alguma coisa que escrevo nesse blog deixado as moscas. Acho que no fim essas satisfações são úteis ao menos para mim, que ocasionalmente volto a elas para me localizar sobre qual é o objetivo, mesmo que temporário, para esse lugar.
O próximo passo é retomar a seqüência de contos (porque não sei que nome dar a essa “modalidade” de literatura) da ‘macula do diabo’, e por conseqüência sua irmã a ‘rainha vermelha’, porem haverá modificações consideráveis. A primeira é o “abrasileiramento” da história. O cenário passa a ser o Brasil, seus personagens passam a ser brasileiros e até mesmo o enredo ganha nova perspectiva para se adaptar ao novo ambiente. Existe claro o forte toque da ficção que torna o país conhecido em algo diferenciado, tendendo ao suspense e se possível ao terror. Em segundo plano existe a perda do vínculo da história literária com a mesa de RPG, já que a mesma não perseguiu dentro dessa proposta. Não irei editar as postagens previas, para guardá-las como referencia futura, logo irei repostar toda a história narrada até então dentro do novo formato. Também modificarei os links do blog referentes a organização do conteúdo, mas farei isso sem pressa.
Pronto. Registrado aqui minhas intenções, sigo com as escritas.
9 de abril de 2010
A matéria do sangue púrpura.
É sempre bom lembrar que as palavras tem cor e personalidade. As melhores são púrpuras e teimosas, teimosas como o diabo. Elas se esgueiram por entre o tempo e o espaço a procura de uma oportunidade certeira de nos flagrar para a tocaia, quando menos se espera “crash-boom-bang” a palavra te acertou em cheio. Não é inteligente tentar recorrer aos escudos do silêncio, isso só cria um adiamento aprisionando o rufar de um grito interno. As palavras são perseverantes, obstinadas! São um tipo sanguíneo raro hoje em dia, luxo de um seleto grupo de indivíduos (adoráveis!?), um sangue vivaz que corre nessas veias abençoadas e engrossa cada fez mais a medida que seu portador lê. Uma forma pratica de engrossar o sangue, mesmo como transfusão para os que não nasceram com esse tipo, é ler os grandes clássicos. Mesmo que fragmentos, em citações, em cacos de espelho. Quando as palavras púrpuras estão agrupadas em um conciso texto, até nesses que sem querer se lê, boa parta das vezes até sem compreender de imediato, mas que se sente, que se vê a cor, é ali que o sangue se acelera, enriquece, palpita o coração adormecido. Nada alarmante, claro, não é um risco a saúde alguma, é uma arritmia sutil, calorosa, sedutora e por vezes, sensual.
Os que carregam esse sangue nem sempre podem ser facilmente reconhecidos por ai. Seus traços marcantes ficam ocultos a primeira vista, se escondem como que desejando serem decifrados. Percebe-se de início em pequenos lampejos de leitura, um olhar tremulo e fugaz diante das boas coras. Observação de versos soltos, frases feitas, uma grande jogada de termos aqui, outra lá, acontecimentos esparsos, nada digno de nota. Mas quem busca por consangüíneos verá depois de algum tempo esse olhar tremulo surgir em períodos regulares, afoitos, vorazes, o consumo do púrpura torna-se intenso. E só nessa hora que o sangue muda de cor, a visão deixa de existir e só resta o olhar, o mundo se transforma como se uma velha e pesada cortina fosse aberta, eis as cores do mundo! Agora aquele cobertor com padrões opacos no pé da cama emite uma luz nova. O mendigo no fim da rua, cheirando mal, que há anos esconde-se ali com suas poucas tralhas começa a aparecer em detalhes, ele vai de cenário para personagem. Isso é o “olhar poético”, sentido exclusivo aos de sangue luminar.
A mente dessas pessoas também é privilegiada, incompreensível para os vermelhos comuns. Suas almas se mesclam as sinapses causando uma sensação de incomodo com o dito banal, um transtorno por não entender completamente o porquê se sua febre de entendimentos, de suas alterações visuais, não é fácil aceitar que se é luminoso, ter luz própria te traz mais responsabilidades que direitos. As alterações não param por ai. O corpo é tomado por uma inquietude constante, quase espasmos, que culminam em um tremer de mãos. Este é o sinal absoluto que você pertence a essa outra raça, que corre em suas veias esse elixir de vida, porque nesse momento o corpo clama por agir, a ação predestinada de escrever. Vale tudo, do guardanapo com caneta do garçom até o teclado encardido do computador da sua avó. Nesse ponto a cor precisa ganhar o mundo, as palavras precisam ser expelidas, projetadas, transplantadas, doadas! Nasce o fruto, o texto, que com muito jeitinho e carinho ganha seus retoque e está pronto para ser exposto e lido. Não há mais volta, esse é um individuo plenamente luminar, totalmente submisso as palavras e seu poder. Não existem mais escolhas, ele pertence a essa raça clandestina no mundo dos vãos, assumir o fardo é o melhor.
Não é fácil admitir que em suas veias correm palavras. É complicado. Incontrolável. Muitos passam a vida medindo forças contra essa natureza, mesmo sabendo que já perderam, desde o primeiro giz de cera. Alguns, mais corajosos, percebem a tempo que esse sangue é bom. Melhor que o outro tipo. Quem o tem pode doar para qualquer outro, mas só aceita receber de seus iguais. Impossível a eles serem indiferentes ao mundo. Indefiníveis. Mesmo tidos por excêntricos, são eles os precursores de todas as grandes obras de arte, das ciências e das sociedades. São os senhores dos textos, que podem, e devem, causar sensações imprevisíveis ao leitor. Esses podem ser levados a enfrentar sua escuridão interior, ou voar em direção aos reflexos do celeste mesmo com os pés no chão e, quem sabe, contrair o sangue púrpura dos herdeiros do mundo.
13 de março de 2010
Resumo de uma outra.
Um menino sonhador.
Demônios internos.
Cachorro divertido.
E o poder de Anansi para onde foi?
Foi para ele.
É dele.
E de alguns outros também.
Anansi é uma aranha.
Mas também é um homem.
Toda criança tem mais facilidade em entender.
Mesmo as que tem medo de aranha.
Todas as histórias são de Anansi.
Todas as histórias são herança de quem tem seu poder.
É tudo uma questão de sonho.
Até que o sonhador acorda.
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