6 de junho de 2007

Carta ao Ogro

Querido Ogro,
Essa é uma carta que nunca irá receber pois não sei como se manda uma carta para um pântano em um reino tão distante. Na verdade já nem é mais uma carta pois é virtual, nem correio eletrônico será já que não tenho seu endereço, ela será algo assim como uma postagem em blog. Viu!? Ao menos uma palavra remete a idéia de enviar uma carta.
A princípio fiquei muito confuso com a idéia do que deveria escrever para um ogro, nunca havia escrito para tal ser antes, e para conseguir um resultado satisfatório decidi perceber quais eram minhas afinidades e semelhanças com tal individuo de tal espécie. Fiquei muito feliz em saber que ogros lêem Clarisse Lispector e escutam Björk. Mesmo já tendo desconfiado que essa moça é na verdade uma ‘ogra’. Ou um Troll, sempre tenho dificuldades em diferenciá-los.
Com o tempo também percebi que esse ogro, que vem me fascinando em seus mistérios, tem muitas características únicas que o diferem dos ogros/trolls comuns. Um ogro canhoto que escreve muito, seja lá como consegue segurar o lápis. O ogro assistiu ‘Caverna do Dragão’ que é muito importante para mim, me perguntei: ‘será que assistia por familiaridade com os orcs?’ mas deixei isso de lado, o significado do desenho vai muito mais além.
O sangue árabe é comum a eu e o ogro. Quem faz terrorismo unido, continua unido, eu acho. Faz parte das características desse sangue ficar quase sempre com a barba por fazer, é parte do charme árabe e ogro, tudo finaliza com o parentesco com leão do mágico de Oz. Ou seria com o homem de lata?
O ogro até come muito daquela frutinha perigosa que nasce aos montes na minha terra. Lá no reino de Joanuum, esse fruta que se morder fura a boca e tem coquinho gostoso dentro da semente, fruta que lembra infância. Infância lembra infâmia... Calma, território perigoso. Não vamos usar dos trocadilhos nessa ‘carta’.
O ogro gosta da lua igualzinho eu. Mas eu já deveria saber disso, os ogros são criaturas féericas das cortes insulares, outonais! Como será o abraço de ogro a luz da lua? Espero que não quebre muitos ossos. Gosto dos meus ossos. Gosto tanto quanto gosto de ‘kibe’ cru.
O ogro também enxerga mal igual eu. Sabe como é, você vai andando na rua sem óculos e não reconheceria sua mãe acenando do outro lado. Isso é característica boa, só quem enxerga mal assim sabe como enxotar os falsos gênios que criam ilusões. Pensando assim percebe-se que o ogro é um ótimo ser para se casar. É só olhar nos olhos do ogro e pronto, o resto nós deixamos acontecer naturalmente.
Espero ser tão bobo quando o ogro e suficientemente inteligente. Dessa forma quando eu aprender os caminhos por onde ele passa e fortuitamente deparar-me com ele poderei sorrir largamente. Porque sorrir, rir, gargalhar são coisas lindas de Deus.
Porque eu me encontraria com o ogro? Como alguém ousa temer o ogro!? É o ogro que teme justificadamente o mundo. Ogros nem são feios, são assim como eu, exóticos.
Nem devo entrar no papo autista do ogro, se não já sabem, é um viajando para cá e outro para lá. Epifanias quânticas!
E é assim que termino ogro, sem falar nada de verdade, só uma redundância gentil para quem sabe deixar registrada uma carta que nunca seria enviada. A curiosidade e esse gostinho ‘do que será’ que o ogro causa é uma brincadeira maravilhosa de aproveitar.

Um comentário:

  1. ogros causam extra sístoles, mas eis a dúvida proposital. Qual ogro? Jogo de espelhos da alma, fica a pergunta que nem precisa de resposta.

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