4 de junho de 2007

Os poderes do Kiwi.



Tudo começa com um inglês excêntrico que assina como Neil Gaimam. Sabe, um daqueles autores pós-modernos que buscam a ressurreição da fantasia de uma forma adulta e dramática? Pois é, ele acabou escrevendo um livro sobre aranhas, uma metáfora curiosa sobre teias, família, oposição concordante e chapéus panamá.
O mais importante dessa história é o poder de Anansi. Anansi é a tal da aranha, uma deusa aranha... um deus aranha... não importa muito. Como um deus tem muitos poderes, mas o mais importante é o poder de dar nomes para as coisas. Ela pode fazer isso porque todas as histórias do mundo são dela, antes eram do tigre, que não era bem um tigre, mas eram histórias violentas do tigre, a aranha roubou as histórias do tigre e por isso as histórias agora são mais espertas. Espertas e complexas como as teias das aranhas.
Esse é todo o início dessa história, que é da aranha, mas também é do Kiwi. O Kiwi também tem poderes fantásticos e você deve com certeza conhecer um dos filhos do Kiwi que usa seus poderes levianamente.
Poderes fáceis de se perceber, aparecem quando você perde uma palavra na ponta da língua, elas ficam presas na teia da aranha e deixam um gosto de kiwi na boca. Nestas horas vem um amigo seu, filho do kiwi, que diz algo normalmente cômico que assume o lugar daquela palavra... Por exemplo, você vai contar onde estava e diz: “Eu voltava da... da... como é mesmo o nome? Aquele lugar onde compramos pão?” e seu amigo com muita presença de espírito diz: “Bordel”. Pronto, o lugar será para sempre chamado disso.
Fundamentalmente esse é o poder do kiwi, a habilidade de trocar os nomes das coisas. Ajuda muito a apelidar as pessoas e a criar códigos quando se pretende falar de algo que as pessoas a sua volta não devem fazer. Normalmente quando alguém é filho do kiwi não haverá escapatória, o novo nome é lançado e pronto. Novo batismo.
Estou praticando os poderes do kiwi agora, eles mesmos tinham outro nome, mas gosto de kiwi.
Agora chega, o texto acaba aqui, tenho de ir ao Bordel buscar leite.
“Abraço, deixa scrap!”.

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