Sábado, 15 de Julho de 2006, 14h07mim – Toledo – Espanha.
Alfred Ausbury, o porão de um prédio antigo e abandonado nos arredores do centro da cidade.
Alfred Ausbury, o porão de um prédio antigo e abandonado nos arredores do centro da cidade.
— Quem está ai?
“Eu não deveria ter perguntado”.
— É só o diabo.
“Eu não deveria ter ouvido”.
— O que quer, diabo?
“Como se eu já não soubesse”.
— Quero sua alma preciosa.
“Aposto que diz isso para todos”.
— Lamento, minha alma já tem dono. Além de que, você não teria poder suficiente para pagar sua parte da negociata.
“E durante tantos dias de trevas, percebi que sou um homem que tem tudo. Não parece-me esperto trocar a liberdade da corrente presa ao corpo, por uma corrente eternamente presa a alma”.
— Podemos fazer como um leilão? Quanto esse tal dono da sua alma te deu?
“O diabo se acha esperto por estar nos detalhes, acho que quando se está com um ferimento grave na cabeça, ao ponto de ter certeza que conversa com o diabo, os detalhes deveriam passar realmente despercebidos. Deveriam, mas não passam. Nunca passaram por mim”.
— O dono da minha alma me deu tudo, menos uma coisa. Você pode me dar tudo?
“Acho que não. O diabo é fraco”.
— Claro que posso! Tudo por uma alma tão preciosa.
“Bem, ao menos ele não permitiu o trocadilho”.
— Mas eu não quero tudo, porque eu já tenho tudo. Tenho tudo o que já ouvi falar que você tenha dado para alguém.
“E tenho tudo isso em grande quantidade”.
— E aquela coisa, a coisa que o dono da sua alma não te deu?
“Nos detalhes...”.
— Você me daria essa coisa?
“Mora o diabo...”.
— Claro, por sua alma preciosa, te dou aquela coisa.
“O amor de Dana Colins, seria um pedido inteligente. Mas sei que posso fazer algo mais interessante”.
— Então, se é um leilão, temos de concordar que o atual dono da minha alma tem a chance de fazer seu lance também, certo?
“O que seria mais que tudo e uma coisa?”.
— Certo. Mas eu posso fazer lances maiores que o dele também, estamos combinados que quem der o lance maior fica com sua alma?
“Esperto o diabo, mas já trabalhei com estagiários melhores”.
— Desde que sejam coisas que eu queira mais que tudo!
“Pois tudo eu já tenho”.
— Quando falará com ele?
“Calma diabo, temos a eternidade”.
— Não sei, ainda tenho de descobrir qual é aquela coisa. Por que não volta amanhã?
“Porque não traz um baralho e uma vela, aqui está ficando chato”.
— Eu volto sim, e vou trazer aquela coisa que você tanto quer!
“Será?”.
— Não se preocupe, eu vou esperar aqui nas sombras.
E então, Alfred começou a recobrar a consciência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário