10 de setembro de 2007

Último Perfil do orkut. (1)

Nos últimos tempos, o alcance e a margem de segurança dessas medidas — aquelas que aplico para entender meus próprios pensamentos — vêm aumentando, em parte graças aos avanços do comportamento pessoal e do cultivo de bons sentimentos. Algumas já se apóiam em fraternidade, companheirismo e principalmente amor, desenvolvendo desafios interativos, ou simulam situações de alta complexidade ou risco. Em suma, com o vasto acervo de teoria e técnicas que me fornecem, podem me ajudar a conhecer melhor o desafiador Maia, a analisar as diferenças entre as idéias e a estudar as características de suas implicações nos grupos.

O que levaria um homem a gastar anos e anos de sua vida a procurar relações matemáticas entre as órbitas dos planetas? As hipóteses equivocadas foram inúmeras. Em princípio Kepler se perguntou se as órbitas dos planetas não estariam entre si como os cinco sólidos regulares que podem ser construídos, embutidos uns dentro dos outros. Assim, o tetraedro, o cubo, o octaedro, o dodecaedro e o icosaedro dariam as relações entre as órbitas planetárias em sua ordem. Afinal de contas, o que pretendia ele com tal busca? Que mensagem cifrada deseja decifrar? Possivelmente na incapacidade de entender o ‘eu’, desenhou no ar um modelo observável.

Em que pesem todas essas contribuições externas, convém lembrar que são apenas meios — capazes de prestar bons ou maus serviços, conforme a maneira de empregá-los e o uso dado aos seus resultados. Constituem unicamente instrumentos, onde se fazem, necessário aprender a elaborar e utilizar. Daí a idéia de escrever tudo isso, não como um guia infalível da busca pelo auto conhecimento, e sim, uma amostra do que dada busca é capaz de oferecer, terminando apenas como a divulgação de seus princípios, aplicações, proveitos e limitações, complementando-a com um quadro dos seus instrumentos usuais e quase uma centena de exemplos de questões semelhantes às que popõem.

Umas das obras mais importantes de Kepler chama-se ‘Harmonice Mundi’. O que esse título lhe sugere? Pergunte a um músico o que é um tratado de harmonia. Haverá relações entre a astronomia e a música? Será que a mensagem codificada no sistema solar é uma canção? Todos nós temos uma canção só nossa. Uma música que só ouvimos quando distraídos, vinda lá do fundo da cabeça, da vontade de sorrir vez por outra quando a estrofe do momento da sua vida parece-lhe um refrão preferido. Mesmo quando se imagina virem outros ainda melhores no futuro. Imaginação é sinônimo de futuro.

Muito voltado para a prática, o conceito estende-se mais no que costuma interessar de perto aos que têm responsabilidade emocional de lidar com pessoas ou grupos interessadas no conhecimento sobre a pintura da própria alma — como namorados, amigos, família, colegas de trabalho, conhecidos, farristas, intelectuais e prodígios de quaisquer naturezas. Situado curiosamente no dia-a-dia, ilustro como as medidas psicológicas podem facilitar o auto-conhecimento e orientar o desenvolvimento pessoal; mostro como dou base para a compreensão do outro e das relações sociais.

Encerro esta com as palavras do citado: “Os movimentos celestes nada mais são que uma canção contínua para várias vozes, percebida pelo intelecto e não pelos ouvidos; uma música que, por meio de tensões discordantes, síncopes e ‘cadenzas’, progride na direção de certas resoluções determinadas, estabelecendo assim certas marcas no fluxo imensurável do tempo. Não é de causar surpresa, portanto, que o homem, imitando dua aurora, tenha, finalmente, descoberto a arte da notação musical, desconhecida dos antigos. O homem desejava reproduzir a continuidade do tempo cósmico dentro de uma breve hora, por meio de uma engenhosa harmonia de várias vozes, a fim de saborear uma amostra do prazer que a criação universal tem em suas obras, e participar de sua alegria fazendo música da imitação da intimidade do infinito”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário