19 de setembro de 2007

O discurso de aniversario do começo do ano.

"A vida é tão cansativa como uma história contada duas vezes, e que aborrece o ouvido desinteressado de um homem sonolento" (William Shakespeare)

Mais velho. Mais humano. Mais capitalista.

Menos amado e não amando.

São as informações ruim depois do aniversário. Claro que tem coisa boa também! Mais amigo, mais culto, mais interessante. Não que seja como vinho, mas acredito em uma proposta de evolução independente da fatal necessidade de mutação.

Obrigado aos que participaram disso.

Sabe, todos nós somos músicas. Canções que começam a ser estudadas na gestação da nossa mãe. Assim cada um tem uma canção própria que fica latejando atrás dos olhos. Não é só uma canção, essa música tem um que de escultura e dança também, tem até um perfume próprio. Se prestar atenção as vezes vai se pegar cantarolando-a, com um “hmm-hmm” desconhecido, se estiver feliz até as outras pessoas vão cantar a sua música também.

Minha canção tem uma linha de refrão que fala sobre a realidade e como nós damos sugestões para ela se moldar em nosso interesse. Mas sabe, eu não sei dançar e não sinto cheiros. Minha música sente falta de um co-compositor.

Hmm-hmm-hmm...

Gosto de falar tanto sobre o tempo que me assustei ao não ter palavras sobre o meu tempo. O dia anual em que devemos saber que agora somos mais velhos. Ano passado tudo era bonitinho (meu deus que adjetivo lamentável) com um calculo simples de sete virtudes para o passado, sete maravilhas para o presente e sete pecados para o futuro, com um ícone a mais não sei qual face do tempo ganhei.

Vinte e dois anos não são divisíveis por três, não deveria me importar pois não consigo dividir isso nem por dois ultimamente. Nunca gostei de matemática. Aos vinte e um, quando tudo era bonitinho (ai!) sentia-me bem com a idéia de finalmente aos olhos do mundo ser um adulto, não que me sentisse assim completamente, mas só agora com os vinte e dois anos que não soam mais nada adolescente é que me obrigo a o ser. Mais velho, biologicamente, mentalmente, socialmente, oniricamente, supernaturalmente e felizmente.

As pessoas me felicitam, sinto-me agradecido realmente. Não consigo deixar de pensar, toda via, em quem me congratula pelo ano superado, pelo ano conquistado ou pelo ano subtraído da totalidade. No dia de aniversario parece-me que só importa o futuro, raras exceções para os que dizem, sem notar, ‘hoje e sempre’. Então, digo a mim mesmo, que o passado perece os parabéns! Talvez não as felicidades, pois se não as tive, e acho pessoalmente que tive muitas, mas sinto que os parabéns, aqueles votos que damos para apontar o mérito de algo conquistado é dado pelo passado e nesse sinto-me ainda mais agradecido. Os votos para o futuro, por favor, digam-me todos os dias! Pois eu desejo para vocês, todos os dias, tudo de melhor por vir. E algumas lágrimas para distinguir o ótimo do bom.

A frase de gaveta, que não posso desperdiçar, essa que digo as vezes por seguir demais, outrora por me esquecer completamente: “Eu sou jovem demais para desistir de meus sonhos e velho demais para levar a vida como uma brincadeira”. Sejam bem vindos ao meu tempo, essa era do grande irmão, bem vindos ao meio do meu mês e ao fim do signo, bem vindos a idade certa para fazer algumas coisas incertas. Nunca erradas.

Obrigado por existir no meu tempo, por vir das virtudes, ser a maravilha e ir comigo aos pecados. O tempo não se vale de nada sem espaço, e este, prefiro ocupar com os apreços dos amigos.

Até amanha, o dia de outra pessoa, um equação diferente em números, mas igual em formula. Felicidades para todos nós.

"Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente" (William Shakespeare)

Um comentário:

  1. Oi...
    Eu estava de bobeira no Orkut e vi o endereço do teu blog. Gostei muito do teu estilo de escrever. Esse lance de "mais um ano agregado às costas" caiu em cheio nesse momento da minha vida: sábado, 29 de setembro, mais (ou menos) um dia de minha vida...Não preciso escrever nada sobre isso; você disse tudo. Parabéns!

    Abraço

    (contadoradeestrelas.blogspot.com)

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