Confesso que a primeira coisa que veio a minha cabeça foi, involuntariamente, uma musiqueta. Talvez um funk de morro.
“Mareja, mareja, mareja o ogrozinho.
Mareja, mareja, mareja o ogrozinho.
Quero ver a fada madrinha girar.”
Mareja, mareja, mareja o ogrozinho.
Quero ver a fada madrinha girar.”
Mas então lembrei-me que felizmente que composição definitivamente não é um dos meus talentos. Nem dançar, nem cantar, nem dirigir... melhor parar ou acabarei confessando mais que a total falta de talentos. Sabe, no fim as contas é tudo culpa daquela moça mal criada, a tal da Lady Murph. Você foi quando eu fiquei, o contrário. Você causa um efeito em mim que abomino, a perda das palavras certas, logo eu que adoro a idéia de ser bom em colecionar letras me vejo completamente “ajacusado” com a vislumbre de você. Seu Ogro grande e azul!
Nada acontece como deveria. Não sei o que é, ou se de alguma forma é problema. Por exemplo, na minha idade eu deveria estar preocupado com o novo CD da Britney, a camiseta transada da loja do shopping e qual a melhor boite de todos os tempos da última semana. Deve ter algo realmente errado em ser diferente do mundo (ou igual a você, sinônimos são complicados) pois da vontade de desmaiar, desaparecer ou notar que meu coração parou uma medida desconhecida de tempo. Minha dupla personalidade maligna e maníaca não gosta nada de você, ela queria te atacar e te encher de... de... de... alguma coisa que a personalidade boa demora um tempão para ter coragem de fazer. Nunca pensei que meu sarcasmo fosse cair, que eu ganharia inseguranças adolescentes, criar esperanças de planos de vida sem data e sem fundamento concreto e... bom.. outras coisa de que prefiro não falar agora.
Vou à terra do nunca imediatamente!
“Rafael? Você está ai? Concentre-se em mim, por favor.”
Aí, hoje, ou esses dias, o Ogro apareceu de verdade, digo, quase de verdade. Quem esperava por isso? O Ogro me pediu para (não com palavras exatamente) eu tentar alcançar a alma dele com meu chapéu mágico. E para minha surpresa, minhas defesas de alta-tecnologia emocionais deixaram.
“Rafael!? Tente manter o sangue do seu corpo oxigenado e em movimento. Respira de novo... respira.... piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...”
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