Domingo, 01 de Janeiro de 2006, 08h05mim – Mit Rahina – Egito.
Augusto Sintra, Donovan Staique, Um hotel melhor que o último.
Augusto Sintra, Donovan Staique, Um hotel melhor que o último.
Enquanto se enxugava, Donovan tentou imaginar por que razão Augusto continuava a trabalhar para decifrar o professor Hamburgo. Afinal, ele era inteligente o bastante para dedicar-se a fazer qualquer coisa que quisesse, inclusive com instituições de ensino bem melhores.
Vestiu o roupão e calçou os chinelos confortáveis que tanto gostava, decidiu por colocar a chave, a que Augusto dera horas atrás e ele não tinha certeza se aceitaria ou não, na corrente, pendurou-a no pescoço e pôs no pulso o que já fora seu relógio. Quebrado pela algaravia da madrugada, já era engraçada a metáfora sobre tempo quebrado. Abriu a porta do banheiro e foi pelo corredor até o quarto. Augusto olhou-o com o mesmo olhar que teria no conforto de Belo Horizonte, entregou-lhe o celular.
— Está na hora de ligar para Victoria e avisá-la do que você planeja.
— O que é que eu planejo? — Perguntou Donovan.
— Para começar, pergunte a ela de onde seus pais se conhecem e onde está a caixa velha.
— Eu apostaria que está guardada debaixo do assoalho da casa de veraneio, e provavelmente vai dizer que nossos pais estudaram juntos a milhares de anos atrás, mas só tem um jeito de descobrir. — Donovan discou 00. — Telefonista internacional?... Preciso de número residencial em Londres, na Inglaterra... Victoria Lancaster.
Depois de um longo silêncio, Donovam já colocara o telefone no viva-voz para descansar a orelha, veio a resposta mecanizada:
— Sinto muito, senhor. Esse número não está na lista. Não posso informar-lhe.
— Mas é uma emergência! — Insistiu Donovan. E depois de uma curta resposta a linha ficou muda.
— Qual o plano B? — Questionou Augusto.
— A única coisa que posso fazer é viajar até a Inglaterra e advertir Victoria do que Hamburgo pretende fazer.
— Muito bem. A questão agora é decidir onde conseguimos outro passaporte para você de forma que Hamburgo não siga seus passos ao entrar no país, se desconfiar que pretende rever Victoria vai tentar matar você e quem estiver junto.
Donovan franziu o cenho.
— Como é que eu vou entrar na Inglaterra, seja lá com qual passaporte, quando nem posso procurar meus pais e perguntas onde é que vou encontrar a minha amiga de férias? A não ser que queira que eu contate Amanda e explique-lhe tudo para que ela decida ajudar com seus dotes ilegais.
— Mas nada impede que eu fale com ela e invente uma historinha qualquer sobre arqueologia, para ela eu nada teria a ver com a Inglaterra. — Disse Augusto. — Diga-me o que você quer, posso convencê-la a...
— Não precisa convencê-la a nada. — Disse, como se ressentido pela influência que Augusto exercia nas últimas horas. — Tudo o que quero está no mercado negro do Cairo. Se você já esta até atirando por ai, o que é um negocio sujo na África.
— Então, é melhor que você fique com isso. — Augusto estendeu a arma.
— Isso não é necessário. Seu professor não vai chegar no nosso rastro aqui antes de desconfiar de alguma coisa.
— Ele não, mas me assusta a idéia de uma confraria de assassinos sarracenos atrás dos caras que deram um tiro no amigo deles. Seja lá qual for o problema entre as duas sociedades, não quero ser o campo de batalha.
Ao levar a mão a arma, Donovan imaginou que dia ele finalmente irá largá-la, quando atirar pela primeira vez desejará saber quando será a última e quando matar, vai querer saber por quê...
Quando beijar Victoria novamente, vai desejar que seja para sempre dessa vez.
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