8 de fevereiro de 2008

Mais do mesmo, mais do mesmo e é claro, um pouco mais do mesmo.

Mais do mesmo, mais do mesmo e é claro, um pouco mais do mesmo. Todo ano tentamos nos convencer que um novo ano carrega milhares de novidades e surpresas. O que, venhamos e convenhamos, é um mentira descabida. Se existem inovações, essas, não são derivadas da data calculada pela posição do globo ao girar entorno do sol, e sim, bem mais provável, o girar da sua vida em torno das suas próprias ações. Entrar o ano com aquela sensação de chute no rim pode ser tão boa para você quanto é para um macaco. Apesar do macaco saber que tudo o que tem por vir é só um pouco mais do mesmo.

Acho que inevitavelmente eu escrevo sobre uns três ou quatro temas diferentes, e volto a repeti-los. Um eufemismo aqui, uma verborragia ali, e pronto, tenho um texto novo e uma idéia que parece semi-nova. O que termina não fazendo diferença dado o fato que raramente sou lido com a devida atenção. Existe até uma certa jogada estratégica de marketing, troca-se o texto e junto a foto de chamado, de preferência por uma foto tão diferente da anterior que leva o navegador incauto a submeter-se a curiosidade de olhar ‘quem é mesmo essa pessoa?’ e talvez, e essa é a margem de erro comum ao merchandising, ler o texto, ou seja, consumir o produto ofertado.

É o velho poder do kiwi, a música intima, o paradoxo linear ou o novo chute no rim. Um produto conhecido, confiável, que muda de embalagem ou de peso conforme as exigências do mercado. O preço, ou o valor em si, também, obvio.

O ano mudou, a propaganda muda, o tema parece mudar, as palavras se repetem no mesmo tom, mas, as frases mudaram de ordem. É só alguém falando de si mesmo da melhor forma que pode. Mudam os objetos que carrega-se no bolso, as pessoas que vivem a seu redor, os sonhos que parecem realizáveis ou as cores das roupas que usa. Muda o apelido, o endereço, muda a idade. Só não muda o mudo, o silêncio que é a autenticidade do olhar do dono, o jeito de parar na rua e olhar para o céu. Cedo ou tarde você acha que encontrou um nível de felicidade com o amadurecimento, com o sucesso, isso é o achar, a margem falha de uma comparação baseada em observações não estudadas e comprovadas. A certeza que vem depois dos gráficos é que você se perdeu em algum momento lá atrás e já não sabe como voltar para buscar.

Raras pessoas seguram com força esse ‘eu’ prestes a se perder, arrastam-no o máximo possível para o ‘e depois’ para concluir que o resto do mundo não vai aceita-lo por tentar ser feliz assim. Esse vai ser o artista, o excêntrico, o louco, o indeciso. Mesmo que seus iguais chamem de esperançoso. E como disse, volto em um tema muito velho, ‘Um novo dia, a mesma merda’. Sem dedicação, não há diversão. Ser feliz é exponencialmente diferente de estar feliz, e saiba, estar é estado passageiro.

Seria pensável que os déspotas malignos do mundo guardassem suas cartas para iniciar guerras mundiais sempre para a virada do ano, o que é difícil de imaginar levando em conta que no mundo existem ao menos vinte e quatro anos novos diferentes. Assim, ao menos o ano vai ser novo, e talvez no final deste faça mais sentido passar de branco e implorar a tudo quanto há por um pouco mais de paz.

Se você perde a guerra que há ai dentro e age como o país que obedece os demais, talvez perceba isso vendo o que você é para os paises ao redor. O melhor e mais querido agora é normalmente o descartável de amanhã.

Que tenhamos um feliz ano igual a todos os anteriores! Mas que nós dentro dele possamos ser um pouco melhores.

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