‘Louco’ é até bonitinho de falar. “Meu ursinho louquinho mais fofo do mundo!”. Tornou-se adjetivo dotado de charme e utilizado também para caracterizar pessoas legais que se aventuram em uma ou outra situação. Para não dizer que hoje ser louco é uma coisa meio abobada, meio Bozo ou Vovó Mafalda. O conceito primário do termo, no entanto, passa a idéia de pessoas, no mínimo, temíveis pela própria natureza. Ei! Pense bem, você já viu algum ‘mocinho’ ou ‘mocinha’ de novela no último capitulo ser gentilmente internado em um hospício? Não, esse é lugar reservado para os vilões malvados. Talvez pelo fim dos sanatórios ou pelo aumento da população terráquea, tais figuras desajuizadas saíram das novelas e estão, cada vez mais, presentes no convívio dos aparentes mentes sanas. Embora loucura seja termo altamente questionável, paupérrimo e feio para definir os seres perturbados por esse ou aquele motivo/doença/trauma/confusão momentânea, é infelizmente boa alternativa para se falar das paranóias humanas de maneira popular. Ou das maniazinhas perturbadoras que todos nós temos, e não se faça de santo, olhe bem que achará as suas.
Comunidades no orkut intituladas "Sou pára-raios de loucos" são apenas um dos sinais da invasão de insanidade que paira nebulosa sobre o cotidiano. Um ente querido está prestes a usar a ‘camisa-de-força’, mesmo depois de experiências seguidas com “loucas”. Convencido de que se trata de carma, ele teme se aproximar mais profundamente por qualquer criatura de saia, a fim de evitar ataques de ciúmes, mudanças repentinas de humor ou até faca no pescoço. Tão bobinho ele, deve ser meio louco. E como convencê-lo de que o mundo não é tão dodói assim se “de perto ninguém é normal?”. Numa olhada superficial, paletós, saltos e óculos decentes demonstram charme e distinção; aproxime-se, conheça, e dificilmente escapará de escandalizar-se com algum comportamento estranho/bizarro em relação à opinião comum. E olha que as empresas ainda usam aquelas receitas engraçadas de testes psicológicos infalíveis para não cometerem o deslize de contratarem gente louca. No final desse parágrafo é hora de rir, tudo bem?
Quando se trata de relacionamentos, o bicho pega. E, se ficar, ele come. Corra, Lola, corra! Uma vez que se passa a conviver mais intimamente com a criatura. Classificar de loucos tão somente seria simples se não parecessem normais ao olho geral. "Vai comer um quilo de sal com ele", diriam os matutos. Sábios. Amigos, amantes, colegas de trabalho, parentes... Lindos, loiros, japoneses e loucos, basta surgir uma situação crítica com a qual não saibam lidar. Merda! Não vale julgar alguém por única atitude, alguns fatores facilitam o aspecto lelé-da-cuca de alguém, a exemplo de bebida, remédio, TPM, trauma recente... Todavia, se o outro é fichado no hospício, apresenta traços de desequilíbrio e, principalmente, faz sofrer alguém, a solução é cair fora. Por que pagar pra ver? Não há exemplos suficientes do que pode causar a alimentação da loucura alheia? E se somos nós os insanos, não devemos nos tratar de alguma forma para descobrir e quem sabe curar nossos fantasmas grotescos, nossos monstros e bruxas de olhos arregalados e risadas macabras? Acho que acabei voltando para a vovó Mafalda.
Uma Amiga estava encantada com um homem que conhecera e com quem estava saindo havia quase um mês. Ao apresentá-lo às amigas, casualmente, uma delas a chamou em particular e disse que o infame era louco e que ela corria risco de vida. Não, ela não achou que, com ela, ele fosse se jogar novamente do apartamento ou tentar invadir sua casa. Confessou estar intrigada o suficiente para continuar.
Outra ignorou o passado de confusões narrado por ex-namoradas, ex-colegas de trabalho e até pela família do sujeito da peste e passou pelas mesmas coisas sobre as quais foi avisada. Amigos psicólogos corrijam, mas muitos psicopatas com diferentes problemas são altamente sedutores. Quando a criatura já está envolvida, é difícil sair incólume. Sinais, luzes de alerta vermelhas piscando no subconsciente, conselhos de entes queridos e desconfiômetro. Melhor acreditar mais nos avisos antes de embarcar na doença do outro e se perder nos caminhos medonhos da mente.
Loucura é falha de lógica ou excesso dela, emoção é o gatilho que falta para fazer uma bela bomba, então, atenha-se ao fofo, não ao louco. De pedra. De rasgar dinheiro.
http://hsombrio.forumbrasil.net/index.htm
ResponderExcluirrs, eu gostava da vovó mafalda, do bozo tb, a propósito, dica de livro: contos da loucura. Ótimo.
ResponderExcluirSobre o Rivotril, as vezes um tarja preta é mto bom. Nem as vezes, quem sabe mtas vezes? Rs.