2 de janeiro de 2009

Feliz 2009. (Ao modo real)

A sensação da areia sob os pés descalços fazia-o ter vontade de tomar banho. Ou talvez isso era provocado pela maresia que não estava nada habituado. Ele olhava o amanhecer ao longe e era aquele momento que valia realmente a pena, nada de esperar dar meia-noite ou coisa assim, nem se preocupar com a cor da roupa ou a simpatias mais sem sentido que alguém sem mais o que fazer inventou no último ano. Para ele, o ápice era ali, no fim do primeiro dia, quando via que era bom.

Sentou-se na areia úmida, e sorria sozinho. Não via quase ninguém ao longe, e ninguém definitivamente perto, provavelmente estavam todos cansados demais graças a força da virada do ano, todo aquele empenho em promessas estúpidas e vazias, confraternizações falsas e hipócritas e pedidos para o invisível. Por mais que tentasse, para ele, a mudança de ano não representava muito mais que a volta completa em torno do Sol, e uma data marcada para pensar no ritmo da própria vida, mas só pela convenção, não pela bobagem.

Com a mão cheia de areia, ele brincou de deixar os grãos caírem na menor quantidade possível, imaginando uma ampulheta, e em como era engraçado as pessoas comemorarem com tanta dedicação cada ano que perdiam para continuar vivendo. Faziam isso duas vezes por ano! Uma particular e outra global, uma ideia até estranha; e ele decidiu que nesse ano, não comemoraria o próprio aniversário, reuniria os amigos sim, usando essa desculpa. Mas erraria o dia, e acreditava que ninguém seria capaz de notar.

Mas era hora de levantar a seguir... na areia ele deixou aquela velha frase máxima, como que na esperança que mudasse a vida de mais alguém.

“Um novo dia. A mesma merda”.

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