12 de agosto de 2009

Só pra constar.

Pensei em falar de livros. Da metalinguagem das possibilidades, das metáforas do dia-a-dia, das brincadeiras literárias. Falar da falta de limites da metafísica da imaginação. Brincar com essa fantástica cortina que separa o leitor do escritor, o poder da criação absoluta do prazer de viver outra realidade sem se desprender do conhecimento prévio. Passar por essa cortina, para qualquer dos lados é sempre desafiador. Um desafio que me conquista e seduz. Desenhar palavras em ordem fantástica, e é a escolha de cada uma e quando ela aparece que fazem a diferença, do sonho infantil das fadinhas brilhantes, do romance idealizado dos longos romances em novela, até a adrenalina dos livros policiais, até a carta da pessoa distante com cheiro de outro lugar. Queria falar de livros, mas é difícil falar de si mesmo.

Falar de algo que pode ser tudo é difícil. Talvez mais fácil como leitor, ele explica e descreve algo que é capaz de conhecer por completo. Mesmo que imagine o que falta ali. Pode recomendar ao próximo, descrever ou reinventar. Fazer um filme ou uma peça, talvez uma música. O desafio derradeiro é o trabalho da descrição, do comentário, do conselho, pelas mãos do autor. Como explicar um sonho que você não entendeu bem. Pense em como você explicaria a alguém como é o azul ou como é doce. O fluir das letras é algo intuitivo e incontrolável, é prazer por ver resultados e sofrimento por não pular para o papel no momento em que bem entendermos. Queria falar de livros como autor. Mas nunca escrevi nenhum e não sei mais ser leitor.

Isso é uma metáfora do dia-a-dia.

Somos todos livros e criamos sinopses nossas com facilidade se nos vemos como leitores, e experimentamos as tantas emoções de viver quando nos deparamos com os momentos de escrevermos. Espero ser guardado em uma grande e bela biblioteca com estantes seguras e de madeira nobre, não me importa se a vista de todos desde que o sistema seja claro a ponto de ser encontrado por quem realmente se interessar por mim.

Queria falar sobre mim e sobre livros. E acabei não falando ao certo sobre nada. Depois tudo fará mais sentido, com certeza fará.

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