12 de fevereiro de 2009

Um convite para Shantel. - Mundo sob mundo

Terça-Feira, 17 de Junho de 2008.
Hoddesdon, Hertfordshire, Reino Unido.

Ato 1 – A banda.

A casa de artes de Archa Borlins era magnífica. Muito bem conservada ela ostentava a arquitetura renascentista de alto gabarito em todos seus intricados detalhes. Os jardins eram imensos, muito bem cuidados, cortado por uma única pista de pedras escuras que conduzia os carros dos portões até a mansão. Todas as inúmeras janelas do salão principal estavam abertas e lá dentro os convidados se acomodavam enquanto degustavam o caro champanhe em taças de cristal.

Parecia um baile de gala a primeira vista. Muitos smokings e muitos longos assinados por estilistas caros. Mas dada a natureza da anfitriã e a disposição de objetos de arte em meio o salão passava a parecer uma sofisticada vernissage. Ainda havia o palco escuro ao fundo, onde podia-se notar os destoantes instrumentos de uma banda moderna, bateria, teclado, guitarra e baixo. Os convidados não se surpreendiam, era a casa de Archa Borlins e ela não era famosa por ser previsível e comum.

Ninguém deu muita atenção ao palco no princípio da festa. Todos ficaram limitados a suas conversas triviais e as tentativas desesperadas de fazer política ou intriga na roda de conversa certa. Ninguém ali tinha esperanças de fazer mais que isso antes da dona da festa fazer sua entrada triunfal. Ou no mínimo desfilar com um modelo tão exclusivo que não existiria nem mesmo um desenho dele para se sonhar copiar.

Aquela noite prometia duplicar a existência de Archa Borlins, uma primeira face fútil, uma segunda face surpreendente e por fim, uma face misteriosa que só surgirá quando o sol estiver prestes a nascer, tudo percebido em seu devido tempo.

A festa progredia em sua mesmice até a banda subir ao palco, vinda de um bastidor que não se notava. Os integrantes conseguiam ser ainda mais destoantes que os instrumentos que os aguardava. Primeiro subiu Mary, conhecida entre os membros da banda como Pusycat, o que não era o apelido mais gentil que alguém poderia receber, ela era uma jovem pálida e magricela com cabelos pintados de roxo e os olhos de viciada, assumiu o baixo e conferiu a afinação das cordas uma última vez. Em seguida subiu Carlos, um latino usando roupas de flanela que parecia ter acabado de cruzar a fronteira de seu pais natal, sentou-se diante do teclado e parecia extremamente desconfortável com o ambiente. Seguindo e assumindo a bateria vinha um negro alto e forte com visual punk que atendia exclusivamente pela alcunha de BlackDog. Por fim a atração principal subiu para vestir a guitarra e aprumar-se diante do microfone como vocal da banda. Era essa mulher, de nome curioso: Shantel Mitigawa, de quem se precisava falar um pouco mais aquela noite. Uma bela garota de longos cabelos loiros e belos olhos azuis vestindo uma justa e elegante bata com tema japonês.

Eles começaram a tocar seu rock and roll. Um tom leve, melódico, com um toque do gótico e a perfeita voz de uma cantora lírica. Mesmo para os convidados que ficaram boquiabertos ao ouvir as primeiras batidas da bateria, tiveram de concordar com o bom gosto da apresentação quando a voz de Shantel se uniu aos outros sons. Dali em diante a festa começava a ganhar outra atmosfera.

Tocaram dez músicas antes do primeiro intervalo. Sendo duas dessas de composição da própria banda, onde Carlos era o principal responsável pelos arranjos e a vocalista pelas letras que falavam sobre um antigo amor que retornava, mas o mundo já mudara demais. Quando voltavam do intervalo e se preparavam para voltar a tocar surgiu a primeira surpresa da noite, era hora da anfitriã surgir. Um dos empregados que administrava o evento aproximou-se discretamente do palco e conversou com BlackDog que repassou a informação aos demais em um pequena reunião de ‘futebol americano’ entre os instrumentos, a anfitriã, que lhes pagava muito bem, solicitava que Shantel iniciasse uma bela capela lírica, com uma letras deles que fora selecionada previamente. Uma canção cujo nome era ‘Mesmo que o perca, sacrifico-me por você’.

E assim foi, a voz de Shantel ocupou todo o salão com as belas palavras de sua canção. A solenidade inspirada por uma capela fez toda a atenção voltar-se para a moça. Alguns olhos já ameaçavam lacrimejar. Após o primeiro refrão, a canção ganhou a companhia de um instrumento. O som de um violino, tocado com qualidade orquestral, surgiu do lado oposto do salão, do alto das escadas que conduzia as acomodações de Archa. Ela estava lá, usando obviamente um estonteante vestido vermelho que fora costurado em seu corpo. Os aplausos não se acanharam, a meia luz, aquele era um espetáculo fantástico para os convidados.

Mas o mágico, o único, repousava no olhar, mesmo que distante, que Archa e Shantel trocaram. Começava ali a relação que definiria a vida de inúmeras pessoas em um estranho jogo de poder.

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Ato 2 – O terraço.

A banda tocou até as três da manhã e já não havia mais quase nenhum convidado quando começaram a recolher o equipamento. Aquele mesmo funcionário havia solicitado que Shantel aguardasse para uma conversa particular com a anfitriã. Como fora ela a conseguir aquele contrato e na esperança de conseguir algum tipo de promoção ou patrocínio, ela aceitou sem pestanejar, esse foi o erro de tudo, ser seduzida pelo glamour da vilã.

Seus amigos foram embora, guardar tudo no estúdio e realizar seus contatos para garantir que o evento repercutisse na mídia. Quando não havia mais ninguém no salão além dos empregados, Shantel foi conduzida até o terraço onde Archa esperava sentada a um pequena mesa branca onde um jarro cheio de um suco, ou chá, que Shantel não identificara aguardava com dois copos.

— Boa noite minha querida. Primeiramente gostaria de agradecer por essa noite maravilhosa que você nos proporcionou. Observei seu trabalho desde que lhe conheci na recepção de Henry Tompson e confesso que fiquei impressionada. — Archa falara, com a leveza e a certeza tradicionais a sua voz.

Ela era uma mulher maravilhosa. Uma musa da beleza. Seus olhos grandes e luminosos, sua pele macia e perfeita, seu cabelo channel que ninguém jamais ousaria acusar de fora de moda e seu corpo pintado por Picasso. Nenhum homem saudável resistiria ao charme daquela mulher, e pouquíssimas mulheres seriam orgulhosas o suficiente.

— Eu quem agradeço, Senhora Borlins. Pela oportunidade. — Shantel sentia-se estranhamente pequena perto daquela mulher. Como se todo seu talento fosse medíocre diante dos olhos dela. Por um instante ela achou errado tamanho fascínio, mas logo afastou essa heresia de sua mente.

— Por favor, querida, chame-me de Archa. Seu trabalho, Shantel, é o que te trás aqui hoje. Mas não exclusivamente, você, sua história, tudo me chamou atenção. Então não vou lhe prender a longos discursos preparatórios e introdutórios. Vou dizer-lhe logo o que reservo para seu futuro. — O semblante dela tornara-se curiosamente sinistro.

— Já me sinto lisonjeada, Archa. Mas eu preciso discutir com a banda se estamos realmente preparados para esse tipo de música. — Sentiu-se envergonhada de contrariar sua interlocutora. Mas percebeu que era necessário. — Minha história, o que sabe sobre ela?

— Esqueça sua banda, querida. Eles são pesos mortos para seu potencial. Não é só na música que lhe ofereço futuro; vejo em você algo ainda mais especial. — Archa levantou-se e caminhou até o parapeito depositando o peso sobre um braço que tocava e superfície áspera da mureta e gesticulando com a mão livre em direção aos céus e ao jardim. — Sua história seria ridícula, é verdade, nas mãos de um roteirista iniciante. Mas teria excelente critica se vinda com a assinatura de Pedro Almodóvar, ou pareceria uma refilmagem interessante pelas mãos de Quentin Tarantino. Uma jovem inglesa loira adotada por pais japoneses e criada em um rígido regime oriental. Não tão rígido, concordo, ou não teria amigos tão inadequados.

A confusão mental em Shantel aumentava. Não gostava da forma como Archa falava, e detestava a idéia de largar seus amigos de banda, foram muitas as juras e promessas de união para sempre, e mesmo não podendo acreditar nessa durabilidade toda, não era hora de por de lado que a levara até ali. Mas a mulher diante dela era tão especial, tão sedutora, que tudo parecia justificável para agradá-la. Era tão bom estar perto de Archa que parecia doer só de pensar que teria de ir embora. Shantel não conseguia falar nada, não conseguia indagar sua anfitriã, só esperar por mais palavras.

— Essa festa, querida, foi em comemoração ao encerramento de meu quinto círculo do mistério. Agora sou a Bruxa mais poderosa desses domínios. — Ao dizer isso, um feitiço se quebrou. Propositalmente, é claro, Shantel não estava mais encantada, não sentia tamanha admiração por Archa. E sem esses sentimentos, percebera que sentia medo. Medo de estar só com uma mulher desequilibrada. — Verdade seja dita, Alfred ainda é mais poderoso que eu. Mas ele é um homem. Talvez Miguel também o seja, mas temos caminhos tão diferentes que se torna impossível comparar-nos.

— Espera ai, que loucura é essa? Bruxa? Do que você está falando? Quem é Alfred? Quem é Miguel? — Shantel levantou-se resignada a partir. Quando o feitiço da adoração se foi deixou um enorme buraco de rancor e magoa. Mas antes de dar três passos os seguranças acavalados da propriedade já se puseram diante da porta, bloqueando-a. — Deixe-me partir, eu não quero seu dinheiro, não quero saber de bruxaria, não quero nada que venha de você!

— Shantel, eu não lhe dei opção em nenhum momento. Você será minha herdeira. Minha pupila dos mistérios e não há força sobre a terra capaz de impedir isso. — Archa abandonou o parapeito e aproximou-se, andando como se desfilasse até Sahntel. — Você conhecerá todos em seu devido momento, hoje é o dia de seu nascimento, sinta-se feliz, logo eu despertarei o poder negro de sua alma.

— Vadia imunda. — Shantel levantou a mão com o intuito de estapear a face da mulher, mas um rápido gesto da mão de Archa, onde os dedos pareceram mais rápidos que o de costume, e um olhar reprovador foram suficientes para seu braço tremer e voltar para junto ao corpo. — Nada do que diga me convencerá a me juntar a sua loucura!

— Eu temia que se comportasse assim. Há algo em seu sangue que pulsa rebeldia, mas isso é um dos detalhes que me agradou ao te escolher. Eu lhe ofereço o poder de tomar para si tudo o que desejar, e você prefere o orgulho. O orgulho será tema para outra aula, por hora vamos nos limitar a convencê-la de que isso é o que você mais quer na vida. — Archa se aproximou dos seguranças e eles abriram passagem, postou-se sob o arco da porta para aguardar a passagem de sua convidada. — Claro, não lhe esconderei os pontos ruins de tudo isso. Existem obrigações para com seus iguais, com a proteção de lugares e coisas e os sonhos proféticos de coisas que não se pode deixar de fazer. Fora isso, resta apenas o desagradável habito de sugar o poder de rivais ou na falta deles, desavisados. Venha, eu tenho algo a lhe mostrar.

Shantel apertava os punhos com força. A reviravolta sentimental dentro dela deixará no final apenas raiva daquela mulher. Ela não seguiu Archa, sentia que seja lá o que pretendia fazer com ela, era algo ruim. Algo com tanto mal envolvido como nada que já tenha presenciado na vida poderia ser. Ela se aproximou do parapeito e testou a resistência dele, lançou um olhar carregado de ódio para Archa e subiu no parapeito, primeiro um joelho, depois o outro.

— Eu sinto o que pretende fazer comigo! E se é tudo o que posso fazer para te impedir de conseguir o que quer, eu vou pular! — Falara bem alto, quase aos gritos, e mesmo assim sua voz era bela.

Archa sorriu com o canto da boca. Lembrava-se de sua última aprendiz, e de como era diferente de Shantel. Já se perguntava sobre como ambas iriam reagir ao se conhecerem.

— Não insulte minha inteligência, querida. Pense comigo, você não morreria caindo dessa altura. Você só teve esse rápido ímpeto de coragem porque eu não a impedi de tê-lo. E o mais claro, eu tenho algo a lhe mostrar que você quer muito ver, eu lhe disse que era hora de você desejar como nunca desejou nada. — Ela virou-se e desceu as escadas, no meio dela, disse em tom solene. — Não quer deixar Henry esperando, quer?

Se podia dizer se seria um novo feitiço, ou se Shantel já estava mais envolvida do que esperava, mas por um instante seu coração pareceu não bater.

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Ato 3 – O refém.

Shantel Mitigawa e Henry Tompson estudaram juntos no colegial. Nada acontecera de romântico entre eles, participavam de mundos diferentes. Ela era um pouco deslocada, ouvia rock pesado e visitava cemitérios sem ter uma lapide para deixar flores. Ele era um dos lideres dos esportes e hoje em dia era um recordista de natação, com muitas medalhas e trófeis, inclusive de mundiais, para lhe garantir a seqüência da carreira. Eles se reencontraram recentemente em uma festa de amigos em comum, da época de escola, e flertaram. Depois disso tiveram dois ou três encontros e por fim foram a uma festa de pessoas importantes onde ele precisava ser visto, lá eles conheceram Archa Borlins, a colecionadora e patrocinadora de artes. Depois de algumas taças de vinho juntos, houve o convite para Shantel tocar em sua recepção, o cachê era gordo e convidativo. Henry não podia ir, pois teria uma bateria de exames para a confederação nacional no dia seguinte e precisava estar preparado. Então Shantel foi à festa e aceitou ficar só com a anfitriã depois disso.

Archa conduziu Shantel por uma sala cheia de esculturas e armas antigas. Por um instante perguntou-se sobre a resistência dos vidros que protegiam as espadas. Não eram do tipo que ela conhecia, mas as aulas de Kendo poderiam ajudar. Percebeu que era uma idéia estúpida, agora não era com a vida dela que estava jogando.

Na sala adjacente, uma espécie de jardim de inverno sem utilização, Henry Tompson estava caído no chão desacordado, ainda usando roupas de dormir. Tinha as mãos amarradas atrás do corpo e uma venda nos olhos. Dois outros seguranças estavam na saleta, e não era difícil notar que estavam armados.

— Vê, minha querida. Seu namorado não é um grande incentivador de nossos negócios? Veja como ele lhe inspira a desejar o que tenho a lhe oferecer. — Archa não debochava, dizia isso como se fosse a verdade. Existia um sorriso em seu rosto de verdadeira satisfação, como se acompanhasse um sorriso imaginário nos lábios de Shantel. — Agora sente-se aqui comigo, e seja boazinha. Nós seremos muito próximas nos dias que estão por vir e é bom começar a tomar gosto pelo aprendizado.

— Você é doente. —Shantel murmurou sem forças, as lágrimas corriam-lhe a face. Sem opções ela se sentou ao lado de sua ‘professora’.

— Vou lhe contar sobre pessoas como nós. Dotados com a magia, com a capacidade der ver além de véu da realidade simples. Depois de nascer hoje, você poderá ver as coisas que estão escondidas no mundo. Coisas belas e coisas horríveis. Os primeiros meses depois de nascer são inesquecíveis, graças ao choque que sua alma sofre ao tocar todo o girar de suas existências, ao passar para um nível superior. Como uma estrela que brilha mais forte ao nascer até encontra seu ritmo correto. Eu gosto de chamar esse período de infância, que assim como a que temos normalmente é cheia de coisas grandes. Medos maiores, cheiros mais fortes, sonhos mais reais. Pessoas que passam pelo nascimento ou experimentam a infância sem alguém para lhes guiar tentem a ficarem loucas ou extremamente perigosas. — Archa passou os dedos carinhosamente pelos cabelos de Shantel. — Fui eu quem encontrou você, quem viu em você a proximidade do nascimento. Entende que é minha responsabilidade cuidar de você? Que não posso permitir que você estrague tudo?

— Se eu deixar fazer isso comigo, deixará Henry ir? — Shantel disse entre os dentes, segurando o pranto na garganta. Inevitavelmente olhando para Archa como todo o desprezo que podia acumular sobre uma mesma pessoa. — Se eu for seu brinquedinho, deixará aqueles que amo em paz?

Archa segurou as faces de Shantel entre as mãos e enxugou-lhe as lágrimas. A expressão de nojo ao toque não conseguia fugir do rosto da cantora.

— Minha querida, eu nunca faria mal a ninguém amado por você. Eu estou protegendo-os do que você poderia fazer. — Archa sorriu, como uma mãe que se orgulha do filho aprender uma lição. — Henry acordará em casa, e muito bem disposto para os Exames que comentou na festa passada. O chá que dei a ele não será notado por nenhum exame convencional.

— E o que eu tenho de fazer? — Shantel rendera-se totalmente após essa frase.

— Lembra-se do chá no terraço? Vamos até lá e você beberá dois ou três copos. — Archa tomou-lhe as mãos. — É muito saboroso, fique tranqüila. Em duas horas você pegará no sono, nesse tempo, um querido amigo, também herdeiro da magia, pintará um belíssimo quadro de você adormecendo em meu colo. Não pode negar o apelo artístico de algo assim, não é?

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Ato 4 – O retrato.

Shantel bebera do chá, que tinha gosto de limonada com muito açúcar. Não sentira nada ao fazê-lo e torcia para seja lá qual droga estivesse misturada ali, realmente não aparecesse nos exames de Henry no dia seguinte. Isso é, se fosse o mesmo chá.

Foi conduzida para um quarto onde uma cama coberta por um lençol violeta e almofadas vermelhas aguardava, ao lado da cama uma tela de pintura em branco aguardava já em seu suporte, assim como a paleta de tintas e uma lata de pinceis. O artista estava recostado na janela, um rapaz com bigodinho de Hitler de muito mau gosto e roupas que Shantel pensou se tratar de um animador de circo, discretas na medida do possível. Ele tinha olhos infantis e cabelos escuros. Não foram apresentados e talvez fosse melhor assim.

Archa conduziu Shantel até a cama, sentou-se de forma a realçar o colo e fez Shantel deitar-se com a cabeça em suas cochas. O artista tomou seu lugar enquanto Archa ajeitava os cabelos de sua “filha”.

— Agora relaxe, minha querida, você terá sonhos complicados que exigiram algo de você, nos lugares por onde andar verá um pouco do mundo escondido e quando acordar, seu primeiro acordar de verdade, tudo será diferente. Mas não se preocupe, eu estarei aqui para zelar por você. Minha querida.

O rapaz começou a pintar a cena que via a medida que sono dominava Shantel. Ela torcia para que fosse somente aquilo, uma fantasia da mulher doente. Torcia para no dia seguinte aquilo tudo ser apenas algo a se esquecer. Antes de dormir, balbuciou algumas palavras, como vindas do inconsciente.

— Eu queria que você fosse se fu...


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