21 de julho de 2010

Medos?

Por vezes nós cometemos erros na vida. A maioria por medo. E esse medo é muito maior que imaginamos. Superficialmente nós não os percebemos, ou, levianamente, os ignoramos. E mesmo agora lendo sobre isso não damos facilmente a devida atenção ao fato. São medos graves, fobias, e costumam ter origem em dois pontos de fácil reconhecimento: o instinto e a cultura.

Os medos instintivos não carecem de explicações. Auto-preservação. Medo do fogo, do escuro, de laminas, de animais perigosos. A maioria de nós lida com eles bem se apresentados em suas formas puras, e desvia-se da realidade, se iludindo, de suas formas sutis. Podemos não ter medo da altura propriamente dita, sem receios de apoiar-se no parapeito de uma sacada inúmeros metros acima do solo. Tudo bem, você não tem medo de altura. Mas você pode ter medo de pular de pára-quedas. Ou o medo de se deparar com a queda de uma aeronave na qual você não saiba onde seu pára-quedas se encontra. Nos casos sutis você pode simplesmente não se submeter a situação de risco e assim não conhecer, ou reconhecer, seus medos.

Nos medos culturais, infelizmente, a analise pode não ser tão objetiva. Para uma mais fácil observação vamos dividi-los entre o medo social e o medo intelectual, observando aqui que apesar de alguns medos instintivos também serem capazes de absorver essas duas vertentes, os medos físicos são exclusivamente instintivos, mesmo que treinados para mais ou menos durante sua formação cultural.

Dos medos sociais, um que quero destacar em um primeiro contato, é o medo do julgamento. Da quantidade de ações que fazemos e, ou, deixamos de fazer preocupados com o que fulano, beltrano, ou simplesmente ‘os outros’ (Assistindo Lost demais?) vão pensar. Esse medo nos condiciona a criar, adotar e seguir regras de convívio onde o certo e o errado são ‘exatos’, onde não existe adequação e espera-se exclusivamente a aplicabilidade de receitas para as boas interações sociais. Obviamente isso limita nossas possibilidades de encontrar a felicidade, ou o falso conforto de viver uma felicidade fabricada, artificial, frágil, insuficiente para nossa real satisfação íntima. Ser feliz para os olhos do outro é que merece causar medo.

Já um medo intelectual que merece destaque nesse primeiro contato é o medo da própria insuficiência. Medo de não ser bom o bastante em algo, de não ser capaz de compreender, de lidar ou resolver. E nessas circunstâncias, o próprio medo gera o objeto aterrorizante. Ao nos deparar com esse medo, agregado ao pavor social supracitado, cria mecanismos de defesa que pode ser bom: auto-estima, ou ruim: orgulho. Defesas que tendemos a misturar e fatalmente decidirmos pelo orgulho. Eu não sou o ruim, a culpa é do outro, das circunstancias, do tempo. O orgulho que impede de reconhecer defeitos ou superar a preocupação com o pensamento alheio é digno de medo.

Por hora, é isso. Estou cá lutando com os meus, sugiro que façam o mesmo e tenham um ótimo dia de coragem.

Um comentário:

  1. Este texto me fez pensar que devo ser errado, q devo ter nascido errado mesmo. mas eu acredito no tempo, como quem espera a chuva no deserto ou o retorno do pássaro que voou.

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