Dediquei tanto tempo tentando escrever sobre eu mesmo que comecei a perceber uma certa dificuldade em escrever sobre outras coisas.
Esse texto em si, surge pelo deslizar dos meus dedos no teclado de uma forma tão natural quanto pensar... O último, levou dias para ser escrito, sem idéias, sem palavras, sem ‘poder’. Eu quase comecei a escrever esse aqui com a expressão “perdi tanto tempo”, mas abomino-a profundamente, chega a causar uma sensação terrível de mal estar.
Esse texto em si, surge pelo deslizar dos meus dedos no teclado de uma forma tão natural quanto pensar... O último, levou dias para ser escrito, sem idéias, sem palavras, sem ‘poder’. Eu quase comecei a escrever esse aqui com a expressão “perdi tanto tempo”, mas abomino-a profundamente, chega a causar uma sensação terrível de mal estar.
Pela manhã, quando escrevia o último conto, minha irmã mais nova aproximou-se e perguntou o que eu estava escrevendo, e eu sem despender muita atenção a ela respondi que era um conto. Ela com aquela carinha que nunca sei dizer se de anjinha ou pestinha disse de uma forma assustadoramente meiga (não se assustem minha irmão quase sempre é assustadoramente meiga) e distraída: “Um conto? Um conto de fadas? Como ‘O mágico de Oz’?” perdi minha concentração no ato, essa garota sempre sabe como me confundir. Passei algum tempo explicando-lhe sobre o que é um conto e o que são as outras coisas, mas acho que deveria me arrepender disso.
Seria melhor para o mundo acreditar em contos de fadas.
Seria melhor para o mundo que escrevêssemos mais contos de fadas.
Para escrever sobre mim, basta-me eu mesmo. Ninguém pode se incomodar com o que digo a meu respeito, seria no mínimo deselegante. Escrever sobre o mundo não tem dessas facilidades, sempre existirá alguém que sabe mais sobre aquele tal assunto que discordará do que eu disse. Ou mesmo quando o tema adentrasse pelos vales da opinião e nada mais que a opinião virá alguém para dizer que não concorda definitivamente! Não que aquela pessoa tenha gasto um décimo das horas que eu gastei para pensar a respeito. Não que ela tenha uma opinião edificada, completa e analisada a respeito.
As vezes é só a incapacidade de pensar, imaginar de uma forma diferente da que “a sociedade” espera que ele faça, ou até onde o orgulho íntimo disse que o próprio individuo é o centro do universo.
As vezes é só a incapacidade de pensar, imaginar de uma forma diferente da que “a sociedade” espera que ele faça, ou até onde o orgulho íntimo disse que o próprio individuo é o centro do universo.
Nessas horas tenho de convir que é tudo exatamente igual o Mágico de Oz. Só que eu não tenho os sapatinhos para voltar para casa.
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